Omissões, meias verdades e mentiras inteiras

Lúcio Costa

Tamayo tinha um largo histórico criminal, tendo sido detido inúmeras vezes por delitos comuns: em 1993, por violação de domicílio; em 2000, por lesões corporais leves e estelionato; em 2002, por violação da ordem pública. Em 09 de março de 2003, foi solto sob fiança, no entanto, no dia 20 do mesmo mês voltou a delinquir, sendo novamente preso. Nessa oportunidade, foi condenado a três anos de prisão. Na prisão, em função de sua conduta agressiva, teve seu período de detenção ampliado.

Em dezembro de 2009, declara-se em greve de fome. Em que pese sua resistência a receber assistência médica, foi inicialmente atendido na unidade médica da penitenciária em que se encontrava, e posteriormente foi transferido para o Hospital Provincial de Camaguey e, finalmente, para o Hospital Nacional de Reclusos de La Habana.

Fato sistematicamente negado pela cobertura jornalística dos meios de comunicação de massa, o Sr. Tamayo recebeu toda a assistência médica necessária, incluída aí administração de alimentação por via parenteral e enteral e internação em UTI. No entanto, devido ao comprometimento de sua capacidade respiratória, veio a falecer em 23 de fevereiro.

Depois do falecimento, o presidente cubano Raul Castro declarou que “lamentava muito” o falecimento de Tamayo e situou essa morte no contexto do confronto marcado pelas ações dos Estados Unidos contra Cuba. Segundo Raul, “nesse confronto, temos perdido milhares de cubanos, sobretudo vítimas do terrorismo de Estado. Os mortos e mutilados são em torno de cinco mil”.

Na esteira de uma potente campanha de mídia desatada contra Cuba quando da morte de Tamayo, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução condenando Cuba pelo episódio, e em inúmeros países tem-se assistido ações com idêntico sentido.

O Ministro das Relações Exteriores da República de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, na sessão do Conselho de Direitos Humanos, celebrada em Genebra no dia 3 de março de 2010, declarou que “uma nova escalada subversiva, com ampla cobertura da mídia, foi lançada contra Cuba. Não respeita princípio ético algum. Pretendem apresentar mercenários como patriotas, agentes remunerados pelo governo dos EUA em território cubano como dissidentes”. … Como expressou o presidente cubano, Raúl Castro Ruz, foi um fato lamentável. Ele foi outra vítima da política subversiva dos Estados Unidos contra Cuba”.

Depois de recordar os 400 mil mortos que as ditaduras militares e os esquadrões da morte de ultra-direita provocaram ao longo das últimas décadas na América Latina, o diplomata cubano registrou que “desde que a Revolução Cubana triunfou em 1959, em Cuba, jamais houve um só caso de assassinato, tortura ou execução extrajudicial; jamais houve um “esquadrão da morte” nem uma Operação Condor”

Expressando uma opinião que não se prostra diante dos interesses norte-americanos, nem fica de joelhos perante a grande mídia, o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim – indo à raiz dos problemas –  declarou que o fim do embargo comercial capitaneado pelos Estados Unidos é a forma de acabar com episódios como a greve fome. “A receita é muito simples: acabar com o embargo”, afirmou Amorim.

Dessa forma, acompanhando a opinião do Ministro Amorim, torna-se nítido que a solução da chamada “questão cubana” tem seu centro numa postura radicalmente democrática: o respeito à autodeterminação do povo cubano; o reconhecimento da legitimidade do governo e do sistema político cubano e; o fim do bloqueio econômico e do terrorismo de estado norte-americano contra Cuba.