Governo Sartori retira do ar site da Comissão Estadual da Verdade

Por Marco Weissheimer

O deputado estadual Pedro Ruas (PSOL) denunciou nesta segunda-feira (14) que o acesso ao relatório da Comissão Estadual da Verdade (CEV-RS) não está mais disponível na página da Casa Civil do governo do Rio Grande do Sul. “Chega a ser um absurdo”, disse Ruas “que a sociedade tenha lutado tanto para conhecer os fatos da Ditadura Militar e, agora, o governo estadual os esconda”. Criada para auxiliar o trabalho da Comissão Nacional da Verdade (CNV), a CEV investigou as violações ocorridas entre de 1º de janeiro de 1961 e 5 de outubro de 1988.

A informação foi confirmada pelos administradores da página do Memorial da Comissão no Facebook. Segundo eles, desde que a Comissão da Verdade entregou o Relatório Final, em dezembro de 2014, para o então governador Tarso Genro, a página da CEV-RS permanecia no ar. Há cerca de dois meses, porém, a página foi retirada do ar. Todo o conteúdo que estava no site para consulta pública agora só pode ser acessado de forma presencial no Arquivo Público. Segundo Natalia Bettim, que foi secretária da comissão, os arquivos que estavam publicados no site serão postados ao longo desta semana na página da CEV no Facebook.

Os administradores deste acervo, juntamente com Carlos Guazelli, que presidiu a Comissão

Por Filipe Castilhos/Sul21
Carlos Guazelli

da Verdade, estão lutando para que o site volte ao ar. A comunicação da Casa Civil não soube informar o que houve com a página da Comissão Estadual da Verdade e garantiu que não recebeu nenhuma orientação para que a mesma fosse retirada do ar. Guazelli destaca a importância histórica do material da Comissão da Verdade, que vem sendo objeto de estudo para muitos pesquisadores.

 

No relatório final da comissão, constam documentos, atas, cópias dos depoimentos e vídeos das audiências públicas. Ao todo, foram realizadas nove audiências públicas e 30 internas, em que as sessões de depoimentos ocorreram na própria sede da Comissão Estadual da Verdade. Além disso, a CEV ouviu cerca de 70 pessoas, somando 81 depoimentos, já que algumas concederam mais de um relato, um em audiência pública e outro, na própria comissão.

Fonte: Sul 21