Metralhadora giratória de Delcídio agita governo e oposição

por Hylda Cavalcanti, da RBA

publicado 15/03/2016 17:17, última modificação 15/03/2016 17:26

Parlamentares estão até agora discursando em plenário ou dando esclarecimentos. Denúncias atingem políticos do PT, PSDB e PMDB e praticamente atingem todas as alas do país – oposição e base do governo

Brasília – A capital do país está atordoada hoje (15), com os políticos deixando de lado as pautas do dia no Legislativo e Executivo, para repercutir o resultado das últimas notícias sobre a delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Muitos divulgaram nota se justificando ou negando as acusações e citações feitas pelo parlamentar – que além de citações a ministros, também dispara uma “metralhadora giratória” contra deputados e senadores do PT, PMDB e PSDB.

Neste segundo trecho da delação de Delcídio, são feitas denúncias ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante – já negadas por ele, em entrevista coletiva –, ao ex-candidato a presidente da República e presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e vários parlamentares de PT, PSDB e PMDB.

A princípio, o Congresso viveu um clima de atordoamento, com deputados e senadores pedindo aos jornalistas para aguardarem porque queriam saber melhor os termos das denúncias e entender o que estava acontecendo. Mas pouco tempo depois, observou-se um clima de apreensão entre lideranças de vários partidos, independente de serem da ala oposicionista ou ligada ao governo, tanto observado no tom de prudência nos discursos feitos em plenário como na reclusão de alguns deputados e senadores em seus gabinetes.

‘O que é verdadeiro’

Um dos primeiros a falar, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a delação de Delcídio não vai atrapalhar a determinação do governo em derrotar o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Guimarães tentou minimizar a questão e destacou que “já foi dita muita coisa em delação premiada e nem todas as denúncias demonstraram ser verdadeiras”.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, também citado, divulgou nota oficial afirmando que jamais teve conversas nos termos citados no depoimento do senador e que, como presidente do Judiciário, ele zela pela independência e parcialidade da magistratura.

Na delação, Delcídio divulgou gravação em que é sugerido que Mercadante teria tentado atuar na sua liberação da prisão, interferindo junto ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao presidente do STF. Mercadante afirmou que conversou no sentido de ajudar como uma tese jurídica e na ajuda no pagamento dos advogados de defesa e que não citou na conversa nem Calheiros e nem o Lewandowski.

No início da tarde, divulgaram nota oficial os senadores Aécio Neves e o líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), também citados nas denúncias. Aécio disse que nada tem a ver com as citações feitas por Delcídio de envolvimento dele no esquema de desvio de recursos no caso Furnas.

‘Apanhado de notícias’

Humberto Costa destacou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as informações prestadas consistem, a seu ver, num “apanhado de notícias sobejamente já veiculadas, a partir da colaboração de outro réu confesso, o Sr. Paulo Roberto Costa, que, até o momento, já alterou seis vezes o teor das inverídicas acusações” que fez a ele (Humberto). E acrescentou que já pediu aos seus advogados que requeiram, o mais brevemente possível, às autoridades competentes a oitiva do senador Delcídio do Amaral no inquérito aberto pelo STF para apurar as acusações anteriores.

O senador Jorge Viana (PT-AC) foi ao plenário, no início da tarde, pedir cautela às instituições do país em relação aos rumos que está tomando a Operação Lava Jato. Viana lembrou que todos querem o combate à corrupção, mas que a forma como são feitas as denúncias, sem confirmação, e o vazamento das informações têm sido cada vez mais danosos para o país e para a democracia.

A questão continua sendo o principal tema em discussão, no Palácio do Planalto, nos discursos e pronunciamentos do Congresso Nacional. E entre os integrantes do colegiado do STF – que demonstraram desconforto e insatisfação em ver o nome de um ministro citado em tentativa de políticos de pedir interferência na Lava Jato.

Fonte: Rede Brasil Atual