Foro de São Paulo: Uma história de resistência e esperança

Lúcio Costa

Os anos noventa iniciaram-se com os governos Reagan e Thatcher e a entrada em cena do neoliberalismo, com a derrota das revoluções centro-americanas e o aprofundamento do bloqueio a Cuba pelo imperialismo estadunidense, com a queda do Muro de Berlim e o fim do socialismo realmente existente no Leste Europeu e na URSS. Eram tempos de derrota e negação dos e valores da democracia e do socialismo.

Na contramão da história, resistindo ao pensamento único neoliberal, o Foro de São Paulo foi uma construção da esperança e da vontade de resistir dos partidos e organizações democráticas, socialistas e populares da América Latina. Hoje, passados 21 anos, o Foro de São Paulo reuniu em seu mais recente encontro 48 partidos e organizações de 21 países, constituindo-se na principal articulação de partidos de esquerda da América Latina e do Caribe.

Lula no XVII Encontro do Foro de São Paulo

Ao falar ao XVII Encontro do Foro de São Paulo, o companheiro Lula, que presidiu a sessão de abertura, assinalou a mudança no cenário da América Latina ao afirmar que a esquerda tem feito grandes progressos desde que Foro foi fundado.

“Provamos que a esquerda governa com mais competência do que a direita, que governou durante muitos anos”, disse, citando como exemplo as políticas econômicas que promoveu durante seu mandato para erradicar a pobreza e melhorar o nível de vida do povo.

Lula destacou que, na América Latina, existe um “furacão de democracia”. Há 20 anos, afirmou, era difícil imaginar que um dia “um índio” como Evo Morales na Bolívia conquistaria o poder, ou que a esquerda levaria a Argentina e o Brasil a ter uma economia em progresso. Lula salientou que o Partido Comunista de Cuba foi fundamental para construir a unidade da esquerda latino-americana.

Por fim, Lula ressaltou ser necessário promover “uma discussão mais aprofundada” sobre o desenvolvimento das forças de esquerda, para “fortalecer os partidos, as alianças”.

Declaração do XVII Encontro do Foro de São Paulo

A declaração final, aprovada pelos 640 delegados presentes ao Encontro, enfatizou a importância de seguir com a desconstrução do modelo neoliberal e a construção de uma alternativa de esquerda.

Para atingir estes objetivos, o documento afirma ser necessário consolidar a unidade das forças progressistas e de esquerda; aprofundar a integração regional; multiplicar as ações bem-sucedidas em diversos países; e projetar novas vitórias eleitorais. Também destaca a importância de seguir impulsionando os processos de integração, para combater “as forças de reação do imperialismo mundial, que operam de forma cada vez mais agressiva”.

Ao analisar a situação mundial, a declaração do XVII Encontro do Foro afirma que o atual cenário mundial é caracterizado “por uma das mais profundas crises do sistema capitalista”. Face a esse cenário, o documento destaca a necessidade de aprofundar alternativas como a Alba (Alternativa Bolivariana para os Povos das Américas), a Unasul (União das Nações Sul-americanas) e Celac (Comunidade dos Países da América Latina e Caribe).

O documento condena o bloqueio contra Cuba, exige a imediata libertação do chamado “Grupo dos Cinco” – cubanos presos nos EUA – e apoia o processo de desenvolvimento da Revolução Cubana, que “atualizou seu modelo econômico, com a mais ampla participação popular”.

O Fórum reafirmou seu apoio à Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) em Honduras, “em sua luta de resistência contra o governo atual, que é uma continuação do golpe”. Também apoiou o processo de mediação em curso para o regresso do ex-presidente Manuel Zelaya, afirmando que o retorno de Honduras ao cenário internacional não será aceito “até que as exigências da FNRP sejam cumpridas”.

O documento final também pediu uma solução para o conflito interno na Colômbia “por meio de negociação política”, e condenou energicamente a “flagrante violação da soberania nacional da Líbia”, exigindo “um cessar-fogo das duas partes envolvidas no conflito, com o objetivo de se “alcançar uma solução pacífica”.

Em 2012, Caracas, capital de Venezuela, será a sede do XVIII Encontro do Foro de São Paulo.