O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu acompanhar o voto do relator e aderir ao pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff por 26 votos a 2. Desta forma, a maioria do Conselho juntou-se joga, como em  1964, a OAB no infame papel de legitimar a ruptura do Estado de Direito.

O presidente do Conselho Federal da Ordem, Claudio Lamachia, já havia antecipado por suas declarações favoráveis ao impeachment a o rumo trágico e vergonho rumo que OAB iria tomar.

No Rio Grande do Sul, estado no qual Lamachia é advogado, centenas de advogados e advogadas encaminharam manifesto a OAB a criticar às opiniões de Lamachia e a se manifestarem peça preservação da legalidade democrática.

Na contramão de Lamachia, as seccionais do Rio de Janeiro e do Pará se pronunciaram em notas emitidas às vésperas da reunião do Conselho denunciando o golpe.

A maior parte das bancadas regionais da OAB votaram unanimimente com o relator. Agora caberá à diretoria do Conselho da Ordem definir a forma técnica de fazer o apoio, se será se juntando ao pedido que já está em curso ou se entrarão com um novo pedido de impedimento da presidenta. Não há prazo definido para tomar essa decisão.

Desta forma, o Conselho Federal da OAB conduz a Ordem como quando do golpe de 1964 vergonhoso papel de legitimação do rompimento da legalidade democrática.

Em 1964, quando do golpe civil-militar o Conselho Federal da OAB, viu a deposição do Presidente João Goulart como medida necessária “para evitar o desmantelamento do estado democrático”.

Na época, a Ordem recebeu com satisfação a notícia do golpe, ratificando as declarações do presidente Povina Cavalcanti, que louvaram a derrocada de Jango.

Em maio de 1964, Povina Cavalcanti ainda participou da comissão designada pelo presidente Castelo Branco para verificar a integridade física dos nove membros da Missão Comercial da República Popular da China, que visitavam o Brasil a convite de João Goulart e foram presos no quartel da Polícia do Exército. No dia 22 de dezembro, os chineses foram julgados pelo Tribunal Militar e condenados a 10 anos de prisão por conspiração contra a segurança nacional. Sobral Pinto, encarregado da defesa dos chineses, conseguiu a expulsão dos estrangeiros, única vitória possível em um estado de exceção.

Depois do vexaminoso papel de legitimadora do golpe civil-militar, será somente após a decretação do AI-5, dezembro de 1968, a OAB passará a resistência democrática.