62 anos da morte do Presidente Getúlio Vargas

Por Lúcio Costa

Hoje se completam 62 anos da morte do Presidente Getúlio Vargas.

Sobre Getúlio já muito se escreveu, muito se discutiu sobre seu significado para a história nacional. Com certeza, muito ainda se escreverá.

Do cipoal das discussões resta indiscutível que, sem entender a Vargas e sua herança é dificultoso ou, mesmo impossível entender o Brasil.

Da mesma forma, sem beber da cacimba do nacionalismo de orientação popular de Vargas – e de seu herdeiro Jango – é  dificultoso ou, mesmo impossível lançar-se a luta pela construção de um Brasil autônomo, soberano e socialmente justo.

Tanto assim, que a malta dos entreguistas paleo-liberais a 60 anos se dedica, passando por Lacerda & FHC, Temer/Cunha & Serra, a enxovalhar a memória de Getúlio, a lutar contra o legado de Vargas.

Façamos, nós os nacionalistas, os democratas e os socialistas o oposto: Conheçamos Getúlio.

No entanto, salienta-se que conhecer a Vargas cobra realizar um esforço de compreensão aberto ao tema nacional. Do contrário, a se insistir em manter a razão encarcerada  na “sociologia critica ao populismo”  perder-se-á de vista, no dizer do saudoso mestre Celso Furtado, o “longo amanhecer” da Nação e do povo brasileiro, um processo truncado, ainda incompleto  e, como nos dias que vivemos,  tantas vezes interrompido pela ação das oligarquias burguesas avassaladas ao capital internacional.

Conhecer a Getúlio Vargas é um passo entre os tantos passos que devem ser dados para conhecer o Brasil com os olhos de brasileiros e brasileiras, como integrantes que somos de uma cultura e tradição, de um povo que a longo tempo peleja para se afirmar e ver reconhecida sua dignidade.

Abaixo fica a Carta Testamento de Getúlio – um dos mais importantes documentos de referência política e ideológica em defesa da democracia e dos interesses nacionais da história do Brasil e algumas dicas de artigos sobre Vargas e sua significação e, a recomendação da biografia de Getúlio Vargas escrita por Lira Neto e da obra de Moniz Bandeira sobre o governo Jango.

Boa leitura.

Carta Testamento

Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.
 
Não me acusam, me insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive que renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário-mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.
 
Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.
 
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício nos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.
 
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia, não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

Brasil, de Getúlio a Lula

O governo Lula representa uma nova expressão do campo popular, que teve nos governos de Getúlio e de Jango, seus antecedentes mais próximos. Governos de coalizão de classes, pluriclassistas, que assumem projetos de unidade e desenvolvimento nacional, com forte peso das políticas sociais. De Getúlio a Lula transcorreram décadas fundamentais, com elementos progressivos e regressivos, contraditórios, que chegam até o começo do século XXI vivendo uma circunstância nova, que pode se fechar, como um marcante parênteses ou como ponte para a ruptura definitiva do modelo herdado e a continuidade em um novo patamar da construção de um país justo, democrático, soberano. A análise é de Emir Sader.

Getúlio e Lula: o mesmo combate

Há pouco mais de meio século ¿ em 1954 -, em um dia 24 de agosto, morria Getúlio Vargas, o mais importante personagem da história brasileira no século passado. Ele havia sido antecedido na presidência do país por Washington Luis (como FHC, carioca recrutado pela elite paulista), que se notabilizou pela afirmação de que ¿A questão social é questão de polícia¿, que erigiu como brasão de seu governo, produto da aliança ¿café com leite¿, das elites paulista e mineira (essa que FHC queria reviver).

O Legado de Getúlio Vargas

Ao completarem-se os cinquenta e seis anos de sua morte o nacionalismo de orientação popular de Getúlio tem nas classes trabalhadoras e no socialismo democrático, no presidente Lula e na companheira Dilma os herdeiros capazes de preservarem seu legado e persistirem na senda de fazer do Brasil uma Nação democrática e socialmente justa.

A Carta Testamento de Getúlio Vargas é uma arma contra o golpe atual

A Carta Testamento que Getúlio nos deixou é um dos mais importantes documentos de referência política e ideológica em defesa da democracia e dos interesses nacionais da história do Brasil.

A Biografia de Getúlio Vargas de Lira Neto

Getúlio Dornelles Vargas (1882-1954) é a figura histórica sobre a qual mais se escreveu no Brasil. No entanto, na copiosa bibliografia dedicada a ele, não havia até agora uma biografia completa, de cunho jornalístico e objetivo, que procurasse reconstituir em minúcias a trajetória pessoal e política do personagem . A monumental trilogia Getúlio, de Lira Neto, da qual se lança vem suprir com sobras essa lacuna. Vale conferir.

 

Governo João Goulart, O – 8ª edição As lutas sociais no Brasil – 1961-1964

Moniz Bandeira.

capa Numa época em que vários setores da esquerda e a máquina de propaganda dos que se assenhorearam do poder em 1° de abril de 1964 acusavam João Goulart de populista, fraco, inclusive por não haver resistido ao golpe militar, Luiz Alberto Moniz Bandeira, durante a ditadura militar, ousou e buscou restabelecer a verdade histórica, analisando seu governo e os fatores de sua derrubada. João Goulart não foi populista, não era demagogo; o PTB, escorado nos sindicatos, desempenhara empiricamente um papel similar ao dos partidos social-democratas na Europa; o golpe militar em 1964, com o apoio dos Estados Unidos, constituiu um episódio da luta de classes; o cabo Anselmo trabalhava para a CIA, em conexão com o Cenimar (Centro de Informações da Marinha); o motim dos marinheiros foi uma provocação, visando a unir as Forças Armadas contra o governo; e Goulart não teve condições de resistir, por não mais contar com o respaldo da maior parte das Forças Armadas e saber que os Estados Unidos se dispunham a intervir militarmente e dividir o Brasil, no caso de uma guerra civil. Se Goulart fosse fraco, cederia à pressão dos generais e dos Estados Unidos, fechando o CGT, reprimindo os sindicatos e demitindo do governo os elementos de esquerda, e o golpe militar não teria ocorrido.