Lamachia: Ridicularizado por Cunha e Criticado por Lavenere

No dia de ontem (28/03), o presidente da OAB, Claudio Lamachia, se prestou a triste papel de colocar a Ordem dos Advogados, a repetir 1964, a serviço do golpe.

Contrários a atitude de Lamachia advogados e advogadas realizaram manifestação no Salão Verde da Câmara Federal. Os manifestantes repetiam em meio ao protesto a frase “A verdade é dura, a OAB apoiou a ditadura”.

Ao chegar ao prédio do parlamento, o presidente da OAB foi cercado por advogados contrários ao pedido de impeachment, tendo dificuldades para se locomover pelo Salão Verde.

Um dos membros do cortejo de Lamachia empurrou um manifestante que gritava palavras de ordem contra o impeachment, mas atingiu uma mulher, que caiu no chão e precisou ser ajudada por outras pessoas para se levantar. O grupo que acompanhava a mulher bateu boca com o advogado e, aos gritos, disseram que iriam registrar queixa no Departamento de Polícia Legislativa. Em vários momentos, houve empurra-empurra entre manifestantes rivais.

Cunha Desdenha e Ridiculariza Pedido de Impeachment de Lamachia

Ademais do rechaço dos advogados e advogadas contrários ao pedido de impedimento da Presidenta Dilma Rousseff por ausência de base legal para tal, Lamachia viu seus préstimos menosprezados e ridicularizados por Eduardo Cunha.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha informou que ainda não leu o pedido da OAB e que irá despachá-lo no momento apropriado. O presidente acrescentou que vai esperar que a Câmara decida sobre o processo em análise na Casa, antes de se pronunciar a respeito.

Segundo o deputado:

“Não li. Por isso, não posso dar opinião de mérito. Não tem sentido, no caso de acolher, ter duas comissões especiais e dois processos [de impeachment] simultâneos. Não tem muita lógica”.

Ao concluir Cunha disse:

“A Ordem veio um pouquinho atrasada. Não veio como naquele momento [do Collor], como protagonista”.

Lavenere Critica

O conselheiro da OAB e ex-presidente da entidade, Marcello Lavenère, que há 23 anos entregou a Ibsen Pinheiro, então presidente da Câmara, o pedido de impeachment que resultou na saída de Fernando Collor de Mello da Presidência da República, é totalmente contra à iniciativa. “Não há condições jurídicas para que se possa iniciar um processo de impeachment contra a presidenta Dilma”, disse.

Lavenère, que é membro honorário vitalício da OAB, foi um dos apenas dois votos contrários na Ordem, junto com o estado do Pará, ao posicionamento pelo afastamento da presidenta Dilma, definido há dez dias na reunião do conselho.

O ex-presidente da OAB alerta ainda que:

“Na reunião do Conselho da OAB, não houve decisão no sentido de que a Ordem entraria com pedido de impeachment”.

“O tom do debate foi outro. O de abrir o processo de impeachment para se poder investigar se a presidenta cometeu crimes ou não”.

Fonte: EBC, Cafezinho, Viomundo.