Araújo vê racha na oposição em crise política

Ex-marido da presidente Dilma Rousseff ataca tese de eleições este ano e fala em desrespeito

O ex-deputado estadual do PDT, Carlos Araújo, ex-marido da presidente Dilma Rousseff, declarou nesta terça-feira que discorda da realização de novas eleições, tese que passou a ser defendida por parte da oposição ao governo de Dilma Rousseff (PT). Araújo foi entrevistado pelos jornalistas Taline Oppitz e Juremir Machado, na Rádio Guaíba. Para ele, a oposição está dividida.

“Parte das forças conservadoras defende o impeachment sob qualquer argumento. Outra quer o poder, mas pensa nas consequências políticas do impeachment sem justa comprovação de crime. Em meio a esta divisão surge como nova a tese de realização de eleições gerais. Discordo dela, pois seria um desrespeito com a decisão popular”, analisou o ex-deputado.

Araújo acrescentou que a livre expressão também deve ser respeitada: “Quem discorda de um governo deve reclamar, sacudir a poeira para ser ouvido, mas não pode tentar derrubar um governo eleito pela força, porque daí é golpe”.

Para o ex-deputado pedetista, o avanço de “forças conservadoras”, como Araújo descreveu, deve-se em grande parte à incapacidade do PT em criar alternativa que contemplasse os interesses da sociedade em sua amplitude. “O PT não soube conduzir uma nova aliança de classes”, criticou.

Araújo manifesta, ainda, forte preocupação com a tensão social provocada pela atual situação política no país. “Estou preocupado demais, porque os ânimos estão muito acirrados na sociedade. Posicionamento político está separando pessoas numa mesma família, causando tensão no trabalho e na escola. Há muita violência verbal. Espero que a gente tenha uma resposta democrática para isso”, concluiu.

Com Correio do Povo